Arquivamento mensal de outubro de 2009

Solução americana

Folha de S. Paulo – Editorial

Ao costurar acordo em Honduras, EUA ressaltam limitações do governo Lula para assumir novas tarefas na América Latina

PARA UM país como os EUA, envolvido em graves problemas internacionais, como a estabilização do Iraque e do Afeganistão, era natural que a opereta de Honduras não despertasse grande preocupação. A expulsão do país do presidente Manuel Zelaya, de pijamas, foi sem dúvida um gesto violento e inaceitável, a merecer repúdio. Ali os militares extrapolaram uma ordem da Suprema Corte, que determinava a prisão de Zelaya por suas manobras para atropelar a Constituição.

Um compreensível e elogiável clamor contra a arbitrariedade, liderado por governos latino-americanos, com eco na comunidade internacional, levou o presidente dos EUA a sentir-se pressionado, ao que reagiu de modo peculiar: “Não posso apertar um botão e reinstalar Zelaya no cargo”, disse Obama no início de agosto. Aproveitou a ocasião para alfinetar aqueles que antes criticavam a ingerência dos EUA em países do continente e agora se queixavam “de não estarmos interferindo o suficiente”.

Pois anteontem os EUA apertaram o botão. Um acordo entre o presidente deposto e o governo interino foi costurado pela equipe capitaneada por Thomas Shannon, responsável no Departamento de Estado pela América Latina -e embaixador indicado pela gestão Obama para o Brasil-, seu vice, Craig Kelly, e Dan Restrepo, do Conselho de Segurança Nacional.

A proposta mantém as eleições presidenciais para o próximo dia 29. Até lá, caberá ao Congresso aprovar ou não a volta do país à ordem anterior a 28 de junho, dia da expulsão de Zelaya. Caso o Legislativo a endosse, Zelaya cumprirá um simbólico final de mandato, e Roberto Micheletti, hoje presidente, reassumirá a chefia do Congresso -o vice renunciara para concorrer no pleito.

O desfecho do caso deixa o governo brasileiro e seus pares regionais numa situação desconfortável. Por mais que seja louvável a pretensão de países latino-americanos de solucionar conflitos regionais de maneira “autônoma”, sem a interferência direta da grande potência mundial, o fato é que um acordo em Honduras só se tornou viável quando os americanos entraram em cena.

O episódio serve de lição para o Brasil, que desempenhou em toda essa história o papel de aprendiz de feiticeiro. Ao negar-se, desde cedo, a dialogar com Micheletti, o Itamaraty ignorou sua tradição de pautar-se pela não ingerência e pela solução mediada de conflitos. Assumiu uma atitude quase estudantil, inábil e intransigente. Inviabilizou-se como negociador.

A linha adotada pela gestão Lula também contrasta com o fato de o atual governo sentar-se à mesa com ditadores os mais variados e eximir-se de condenar, por exemplo, a ditadura sudanesa, por sua responsabilidade na campanha de “limpeza étnica”, responsável pela morte de 300 mil pessoas no país africano.

Ao abdicar do papel de intermediador e deixar que a embaixada em Tegucigalpa se transformasse em sede de um comitê de agitação política, o governo brasileiro demonstrou amadorismo ao assumir as novas responsabilidades que o futuro parece reservar ao país.

5 Comentários em “Solução americana”


  • SOLUÇÃO AMERICANA

    O fato é que um acordo em Honduras só se tornou viável quando os americanos entraram em cena. O episódio serve de lição para o Brasil, que desempenhou em toda essa história o papel de aprendiz de feiticeiro.

    Chávez pede votos a Dilma e compara Lula a Cristo
    O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pediu na noite de sexta-feira o apoio das mulheres venezuelanas à candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) para a Presidência do Brasil. O pedido foi feito em um discurso de Chávez para cerca de mil mulheres que participavam da comemoração do aniversário de dez anos do Inamujer, órgão governamental responsável pela definição de políticas para mulheres da Venezuela.
    “Lula como Cristo” – Chávez ainda comparou Lula a Cristo “anunciando a boa nova”.
    O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse na noite desta sexta-feira, ter informações de que o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, regressará ao poder “nas próximas horas”.
    “Lula comete gafe e diz que governo vai lançar PAC 2 em 2011”.

    Será que o apoio das mulheres venezuelanas será tão capaz de realizar esse desastre aqui no nosso País????? – Aonde estão as “Nossas Mulheres Brasileiras”.

  • A política externa lulista se pauta pela agenda de Hugo Chávez, o ditador venezuelano que é o grande mentor do golpismo travestido de consultas populares, com plebiscitos manipulados para fazer valer as vontades dos ditadores de plantão.
    O governo lulista não fez mais do que defender os interesses chavistas em Honduras, perdendo, desde pronto, qualquer credibilidade tanto com o governo local como junto à comunidade internacional.
    A patética tentativa de ingerência do duble de chanceler do governo lulista não passou de uma ópera bufa, e, no final, o Brasil não foi mais do que um patético joguete nas mãos de Hugo Chávez, o que, aliás, já é há muito tempo.
    A política externa do Brasil deveria ser pautada pelo respeito aos direitos humanos e pela defesa da democracia.
    Infelizmente, nada disso é o que vemos nos aliados do lulismo, o ditador Chávez, os golpistas Morales e Correa, o “pai da nação paraguaia” Lugo, e o represssor casal Kirchner.
    A tentativa de aproximação com o radical líder iraniano é outro passo na contramão daquilo que deveríamos buscar, como o foi o patético reconhcimento da China como “economia de mercado”, em uma total afronta ao conceito e à defesa dos direitos humanos.
    O modelo lulista é a “democracia” castrista de Cuba, e todos seus imitadores (partido único, controle dos meios de comunicação, privilégios e regalias para os membros do partido, e azar do povo).
    Que a população Brasileira esteja atente e ajude o Brasil a mudar o rumo de sua política externa, começando aqui mesmo, livrando o Brasil de uma vez por todos do lulismo, dos petralhas, e de todos o coronelismo adesista que se ligou a eles.

  • maria antonia galeazzi

    Parece que essa restituição não é bem assim, Segundo o jornal ElHeraldo de Honduras :El vicepresidente del Congreso Nacional, Ramón Velásquez Nazar, reiteró que si la decisión de los diputados fue nombrar un sustituto de Manuel Zelaya en la Presidencia, no hay razón para restituirlo.

    El Poder Legislativo emitió un decreto el pasado 28 de junio mediante el cual destituyó al ex presidente Zelaya por violar la Constitución de la República al pretender derogar la carta magna con su proyecto de la cuarta urna, con la que pretendía instalar una asamblea nacional constituyente.

    “Absolutamente esa es la posición que vamos a mantener”, dijo el legislador a medios locales.

    Velásquez manifestó que “la restitución de Zelaya es un aspecto legal y el Congreso es una institución eminentemente política y el tener en nuestras manos un informe de la Corte Suprema de Justicia, nos da la visión jurídica del asunto”.

    A la recomendación de la CSJ deben sumarse las de el Ministerio Público y la Procuraduría General de la República y en base a las mismas, “el Congreso tendrá que fijar su posición de restitución o no”, declaró.
    ————-
    Por outro lado segundo os jornais de Honduras, os EEUU estão surpresos com as ultimas atitudes do governo Brasileiro..será porque?
    Concordo com Castilho e acho que a sociedade brasileira tem sim que ficar atenta as rumos que se seguirão

  • O Brasil já desempenhou papéis importantes no cenário internacional, a presidência da seção que criou o estado de Israel por exemplo. No passado mais recente, foi equilibrado e competente na crise das Malvinas, foi firme, e mesmo assim conquistou respeito de ambas as partes.
    Hoje, o Brasil se apequenou, tem palavra dúbia, hoje é isso, amanha é aquilo. No Itamarati um diz uma coisa, outro diz outra, e acreditem, algumas vezes aparece um terceiro e diz outra coisa diferente, age com imaturidade e desrespeito.
    No caso de Honduras pareceu até premeditado o papel de incompetente.
    Talvez o único interessado nesse teatro de horrores seja o G8, e como brinde, Lula leva: Copa, Olimpíada e vasto material para propaganda, com direito a foto com Obama e tudo.

  • É isso mesmo. Temos uma política externa amadorista. Os grandes parceiros do governo brasileiro são arremedos de caudilhos latino americanos. O Governo Lula nivelou o Brasil por baixo, acreditando que seria o grande líder do continente.
    Virou troca de favores: Lula e seu ministro, Celso Amorim, fazem carinhos em Cuba, praticam corpo mole com Evo Morales no caso do gás com a Bolívia, interferem vergonhosamente na política interna de Honduras, para restaurar no poder o golpista número um, Zelaya, que queria se perpetuar no poder por plebiscito.
    Lula faz média no Paraguai com Fernando Lugo, e tem a coragem de dizer que é “histórico”um acordo em que nós, brasileiros, pagaremos três vezes mais aos paraguaios pela energia que consumimos. (???????)É pra rir ou pra chorar?
    Parece conversa de comadre: Lula ajuda Hugo Chaves no Mercosul, ele diz que Lula é anjo,entre risos, e pede um terceiro mandato para o nosso macunaíma. Você me ajuda aqui, eu te ajudo ali….e nós…. e nós…..

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