“É um grande prazer recebê-los aqui, senhor Bispo, dra. Zilda. Já li a pauta que sugeriram para este encontro e que inclui várias questões pendentes entre o ministério e a Pastoral da Criança. Mas, antes de ouvi-los, eu queria perguntar: a senhora estaria disposta, seria possível duplicar o trabalho que a Pastoral vem fazendo com o apoio do Ministério da Saúde? Nós duplicaríamos imediatamente os recursos, bastaria apresentarem um plano de expansão. Acho a ação da Pastoral extraordinária e fundamental para derrubarmos ainda mais a mortalidade infantil no Brasil.”
Foi mais ou menos isso o que eu disse aos dois visitantes, numa tarde de abril de 1998, enquanto eles ainda se acomodavam nas poltronas da minha sala, no Ministério da Saúde. Não disfarçaram sua surpresa, esqueceram seus pleitos e aceitaram o desafio na hora. Eu havia assumido o cargo fazia poucos dias e tinha atendido rapidamente a um pedido de audiência do bispo d. Aloysio Penna, responsável pela área da criança na CNBB, e da dra. Zilda Arns, coordenadora da Pastoral da Criança.
Dali em diante, Zilda Arns tornou-se uma parceira de todos os momentos. Recorri a ela muitas vezes, como no caso do Projeto de Emenda Constitucional nº 30, em 2000/01, que definia recursos orçamentários mínimos para a Saúde, nas três esferas de governo. A tramitação no Congresso era difícil, principalmente no Senado. Por isso, pedi ajuda a ela e a seu irmão, d. Paulo Evaristo. E eles acabaram sendo fundamentais na mobilização da opinião pública em favor da aprovação da emenda.
Zilda Arns tinha formação científica e era cristã fervorosa. Com sua crença, tornou mais humana a sua ciência; com a sua ciência, deu impressionante dimensão prática à sua crença. Sempre evidenciou a importância de unir o Brasil num propósito, em vez de dividi-lo. De potencializar o conhecimento com a fé, e a fé com o conhecimento.
Ela era infinitamente paciente. Uma mulher serena nos gestos, no olhar, no sorriso fácil, na delicadeza com que tratava todos, em qualquer circunstância, e na tolerância em relação às ideias das quais divergia e às pessoas que não admirava. Ao mesmo tempo, era disciplinada, organizada e sistemática no trabalho, docemente insistente na defesa de suas crenças e propostas.
Certa vez, quando intensificamos, no Ministério da Saúde, a distribuição de anticoncepcionais e preservativos, a dra. Zilda veio me ver. Sem fazer menção à nossa campanha, mostrou-me uma espécie de terço que, à primeira vista, não identifiquei. Não percebi do que se tratava. Finalmente, depois de alguns rodeios, ela me explicou: era um expediente de custo mínimo, para as mulheres lembrarem seus dias de fertilidade e controlarem suas relações sexuais, evitando gravidez indesejada. Surpreso, tentei argumentar:
- Mas, dona Zilda, o pessoal aqui do ministério não vai aceitar nunca que esse terço seja utilizado em vez de anticoncepcionais.
- Eu sei disso. Mas nada impede que este método seja utilizado como complemento, inclusive com mulheres que não podem tomar anticoncepcionais. Aí as pessoas que são contra vão se convencer, pois os resultados serão muito bons.
Essa era a Zilda Arns. Não brigava, procurava persuadir. A mesma dona Zilda que salvou a vida de centenas de milhares de crianças. Tradicionalmente, o combate à mortalidade infantil no Brasil, do ângulo correto do governo, requer três linhas de ação: expansão das obras de saneamento básico, atenção às gestantes e melhora do atendimento no parto, incluindo a fase pré-natal. No ministério, ratificamos essas linhas, reforçando muito cada um dos seus elos e estendendo-as ao pós-natal, mediante uma expansão considerável das UTIs especializadas por todo o País.
O trabalho da Pastoral da Criança, contudo, era e é de outra natureza, complementar, educativa e psicológica, enfatizando a atenção à família, as condições de higiene e nutrição, acompanhando o desenvolvimento das crianças, em cada casa, em cada bairro. É um trabalho feito por voluntários (hoje, mais de 150 mil) e focalizado nas regiões e municípios mais pobres (cerca de 3,4 mil). Até certo ponto, acaba sendo, também, uma “porta de entrada” dos mais carentes nas redes públicas de Saúde.
Dona Zilda fazia muito mais com muito menos. Perdoem-me o economicismo: a “produtividade” dessas ações era enorme, em termos de queda da mortalidade infantil. Certa vez, estimei que, para obter os resultados do trabalho comandado por ela, uma ação equivalente de governo custaria de oito a dez vezes mais.
O governo já havia percebido a necessidade de atuar junto às famílias. Traduziu-a nos programas de Saúde da Família e de agentes comunitários de Saúde, criados na primeira metade dos anos noventa, mas ainda incipientes, no caso do PSF. Por isso mesmo, multiplicamos por dez, em poucos anos, o número de equipes, de forma mais concentrada nas áreas mais carentes do País. Porém, as ações da Pastoral, integrais, envolventes e próximas das pessoas, mais do que necessárias, continuaram insubstituíveis.
Em 2001, por ideia de um amigo que a admirava, deflagrei uma campanha para a concessão do Prêmio Nobel da Paz à dra. Zilda Arns. Naquele momento, ficou claro o reconhecimento que seu trabalho e seu exemplo mereciam, não só no Brasil como em todo o mundo, pela extensão e representatividade dos apoios que sua indicação recebeu.
Aliás, ela sempre deu prioridade à transmissão e à réplica da experiência brasileira da Pastoral da Criança nos países pobres da América Latina, da Ásia e da África. Foi nessa missão que ela estava no Haiti, o país mais pobre das Américas. E foi dali, dentro de uma Igreja onde pregava, que nos deixou, sob os escombros da tragédia que matou também jovens militares brasileiros, num incrível capricho do destino.
Morreu Dona Zilda. Viva Dona Zilda, na sua obra, no seu exemplo e nos milhares e milhares de crianças cujas vidas ajudou a salvar e a construir.
*José Serra é governador do Estado de São Paulo e ex-ministro da Saúde




A Dra. Zilda Arns ,
Partiu de forma honrosa , com todas as suas capacidades seja física ou mental intactas, e fechou a sua existência exercendo a missão que assumiu como o seu sentido de viver.Melhor impossível , já que todos partiremos.
O corpo físico foi , o exemplo se perpetuará e os resultados aí estão.
A cortina se fecha e todos nós numa só voz exclamamos:
“-Bravo!”
É regina,a Dra. Zilda Arns foi uma excessão. Partiu de forma honrosa mesmo. Quisera Deus, que todos os religiosos, seguissem o seu belo exemplo. Fossem assim, imparciais, honestos, e que no final de suas existencias terrenas, nos deixem legados iguais ao da Dra. Zilda Arns. Que o seu exemplo seja um marco sereno para tantos outros….
Infelizmente, muitos militantes religiosos são parciais, quando em vez de atuarem COMO MEDIADORES NETROS nas contendas, ou nos conflitos sociais,defendem ferrenhamente apenas a causa de um determinado grupo social, desperezando ou desconhecendo as razões do outro grupo contendor, como se todos não merecessem a clemencia de Deus, ou não fossem também criaturas de Deus! E assim se foram precocemente alguns ilustres nomes militantes de algumas pastorais. O mundo conhece essa triste história. Basta olharmos para o passado não distante…. Não há o que negar. Partes deles,(incluindo-se aí as pastorais que dão guarida ao MST) abraçam a pobreza, pregam a distribuição de Bens e Renda, mas não dão do que possuem. Renegam a reiqueza como se os mais aquinhoados, (cujos bens para muitos são o fruto de um trabalho, sério e honesto) não fossem dignos do olhar de Deus, mas recebem de bom grado as doações do ricos. Não foi e nunca seria esse o exemplo de Zilda Arns. Parte também precocemente, mas de consciência tranquila, e sem dúvidas, com a sensação do dever de cidadã religiosa cumprido aqui na terra, pois deu tudo que pode de si em prol dos humildes e abandonados….
podem me cadastrar; e vamos tucanos fazer oposição ao governo petralha prá valer.
Olá Francisco, não o cumprimentei e nem aos outros presentes ,pois quando resolvi comentar vcs não estavam presentes.Respondendo à vc. Francisco Correa(temos dois Franciscos), é muito interessante ver a incoerência funcional de alguns religiosos quando estimulam o ódio entre o pobre e o rico , generalizando DE ACORDO COM OS SEUS INTUITOS,impõem a verdade fraudada ,de que todos os ricos têm atitudes sem ética (exploradores)e todos os pobres são santinhos. Já estou cheia desta conversa fiada.
Aplaudo a Dra. Zilda, pois ela seguiu sem interferência pessoal a filosofia (de um ou de um dos )do Mestre .
Pelo que eu saiba as Igrejas /Cultos/Religiões fazem parte dos Ricos , e olhe dos muito ricos, materialmente falando , do nosso Mundo.
E saiba, por experiência pessoal que quando queremos mexer com a propriedade deles(pelo menos na minha comunidade), utilizando além o bem que possuem em prol da comunidade em que estão inseridos, fecham -nos as portas.Triste verdade de que os homens em suas essências são todos iguais ,independente dos “ismos” que os escondem ,a diferença se dará pela indole de cada um (o centro da cebola não se muda e este é concretizado por diversos fatores)e pelo caminho de aperfeiçoamento como seres humanos que buscamos em nossas existências.
Francisco,mudando de assunto,você não acha que o PSDB deve introduzir o calor humano na Rede PSDB e no partido , como algum de nós já o vivenciamos ?
Todos nós buscamos os arquétipos de Mãe e Pai , todos nós buscamos sentir ser cuidados , amados e valorizados, ser importantes para os nossos.No meu negócio isto é regra e diferencial, por que o PSDB não percebe que em qualquer instância estas expectativas são a chave do negócio ?
Forte abraço de uma abelha da Colméia
A Dra Zilda Arns foi uma das pessoas que mais salvou vidas neste país, uma heroína não tão festejada. Basta comparar as taxas de mortalidade infantil antes e depois da Pastoral da Criança em diferentes partes do país. Certamente temos milhares de brasileiros e brasileiras que estão hoje vivos graças a ela. PARABENS e muito obrigado Dra Zilda, certamente a senhora foi chamada por ter nova missão onde está, com Deus.
Oi Regina, bom dia!
Perdoe-me mas vou fugir um pouco do objetivo de dessa preciosa Rede.
Primeiro vejo que o nosso nível de conhecimentos são bem difentes. Eu sou hoje um humilde servidor público aposentado que trabalhou na Segurança Pública por quase trinta anos, e que apenas fez um segundo grau aqui no Norte (Miracema do Norte quanto aqúi aianda era Goiás) Não sei nem de que Estado você é, mas percebo que tem formação superior, e mora em algum lugar mais evolído que o nosso Tocantins. Todavia percebo também que temos algo em comun: o bom senso e o desejo de mudanças em nosso País. Preocupado e pensando no bem de nossa gente, no final de nossa carreira polcial, publicamos um livreto, Veja bem,é um trabalho direcionado ao combate a esse SISTEMÃO PETISTA. Nesse nosso livreto, a nosso modo rústico, portanto com linguagem de fácil entendimento, versa sobre dois assuntos que a pricípio são completamente difentes, mas que no final apontam uma mesma direção, a violencia. O título do livro é “A RAIZ DA VIOLENCIA NO CAMPO BRASILEIRO, COM UMA ADVERTÊNCIA – Se Cuida Brasil!. O sub título do livro é ” Salvação da alma – Mito ou Verdade?” Nessa parte procuramos fazer algumas reflexões religiosas, mas principalmente sobre a religiosidade, onde a política partidária está miscigenada do sentimento religioso.
Regina essa é a segunda vez que lhe peço um endereço para que eu lhe envie como doação esse livrinho. Se me fornecer um endeço para correspondência. (não precisa ser o seu proprio endereço.) com enorme prazer o mandarei. Veja o livro e me ajude a ser uma abelhina multiplicadora da idéia. Nâo tenho interesse em aparecer. O que quero é colaborar. Mas não podemos perder tempo, porque depois das eleições esse livreto pouco valerá. Obrigado e mais uma vez aguardo. Já mandei esse livro pro Serra, pro Sergio Guerra, e gostaria que mais gente o conhecesse pois confio muito na força de sua menságem. Com certeza ele servirá muito nos palanques da próxima campanha presidencial, pois infelizmente somos poucos leitores no Brasil, e nos palanques será uma forma direta de sua menságem atingir o público. Aguardo e obrigado.
Doutora Zilda. aos trilhos da vida. nos deixou exnplo de cidadania, vida sinples.ao dedicar sua existencia.totalmente em favor dos idosos e das crianças; atraves brilhante Organizanismo,A Pastoral da criança. como seu admirador manifesto-me o mais profundos sentimentos por seus ensinamentos a nos proferidos. Muinto obrigado. por tudo. que deus esteja entre nos; Manoel nascimento- http://www.manoelnascimentoindio.com.br
Bom dia gente, Bom dia Francisco Correa,
Eu já enviei-lhe faz tempo e-mail passando o meu interesse em receber a sua exposição:A raiz da violência no Campo.Verifique por favor.
Regina, não o recebí. Estou lhe passando o meu email. francisco.corre@yahoo.com.br. por esse endereço não recebí e na rede, não ví. Deve ser porque estive ausente por alguns dias a mais ou menos um mês atrás. Informre-me por qual via mandou, ok? Grato.
O email está errado. O correto é francisco.correa@yahoo.com.br ok Regina?
Amigos Tucanos:
Precisamos nos movimentar, o PSDB está devagar. O Aécio deveria aceitar em ser o vice do Serra, um rapaz novo, teria sua vez no futuro. Acho que ele está pensando mais nele que no PSDB.
Temos que começar a divulgar o que o Serra realizou. Quando digo que tenho certeza de dois votos, que é o do Arthur Neto e do “criador” do salário-desemprego, genérico, remédio da AIDS, mutirões de cirúrgias de catarata, próstata, da vacina antigripal para os idosos, etc,recebedor do prêmio de melhor ministro da saúde, sendo economista, perguntam-me, quem? Digo: “José Serra”. Alguns respondem que não sabiam de certas realizações dele. Imaginem, que já teve gente que disse não votar nele, porque ele havia deixado os idosos na fila. Precisei imprimir na internet, levando a foto do Berzoini. Defendo o Serra o dia todo. Já fiz uma promessa com Nossa Senhora Aparecida que irei até Aparecida pagá-la, após a vitória do nosso Serra.
Dizem que ele vai acabar com a Zona Franca de Manaus, não vai dar aumento para o funconalismo público, e prossegue, tenho sempre a defesa na ponta da língua.
Viva o nosso José Serra, viva o PSDB, viva o Brasil nas asas dos nossos tucanos. Amém Senhor.
Nana Campelo
Matérias como essa devem ser veiculadas nacionalmente e não apenas em sites aliados. Precisamos sair da concha e enfrentar o pt com idéis e experiencia.